Teste: detergentes são bons, mas precisam ser mais claros sobre danos ambientais

PROTESTE avaliou algumas marcas de detergentes e detectou a eficiência e baixo custo; no entanto, sob o aspecto ambiental, os produtos ainda deixam a desejar.

Os detergentes das três marcas mais vendidas no Brasil (Ypê, Minuano e Limpol) e das duas mais encontradas no Sudeste (Barra e BioBrilho) foram testados pela PROTESTE. De forma geral, as opções são baratas e com alto rendimento – é possível lavar quase o triplo de pratos com a indicação de melhor do teste (Ypê). A escolha certa, pelo custo-benefício, foi o Minuano.

No entanto, a lista de componentes, que vem nos rótulos, não informa especificamente cada ingrediente, já que a atual legislação não prevê que as empresas devam fazer isso. Dessa forma, a PROTESTE não conseguiu avaliar o impacto ambiental total do produto. As marcas citam na embalagem apenas os grandes grupos de substâncias químicas, como neutralizante, conservante, espessante, coadjuvante, veículo, corante e fragrância. 

“Estas duas últimas não são agentes de limpeza e remoção. A fragrância limoneno, por exemplo, apresenta um efeito bastante maléfico ao meio ambiente e aos peixes, além de algumas pessoas serem alérgicas”, destaca Thiago Porto, especialista PROTESTE.

Informações são relevantes para a saúde do consumidor e para o ambiente

A especialista em Relações Institucionais da PROTESTE, Juliana Moya, ressalta que, ainda que a legislação não imponha a obrigação, seria importante que as empresas comunicassem com mais precisão quais são as substâncias que compõem o produto em questão. “Essa informação é relevante tanto para a saúde do consumidor como para que ele possa avaliar o impacto ambiental do detergente que pretende adquirir”, pontua.

De acordo com Thiago, além da especificação da substância utilizada, deveria ser informado o número de registro único no banco de dados de componentes químico no site ou SAC da empresa. O consumidor é capaz de identificar componentes que prejudicam, por exemplo, o meio ambiente ou a sua saúde.

Veja os detalhes do teste

Um dos critérios verificados pela PROTESTE, pela primeira vez, foi o impacto do descarte da embalagem no ambiente. “Para isso, levamos em consideração a proporção necessária do peso de cada garrafa que será transformada em resíduo para lavar determinada quantidade de pratos. Se o consumidor optar pelo Ypê, no lugar do BioBrilho, deixará um impacto menor no ambiente, porque o primeiro tem uma eficiência três vezes maior do que o último. Em vez de 51,21 g, vão ser 15,8 g inutilizadas, ou seja, 324% menos lixo”, esclarece Thiago. 

Neste critério de descarte da embalagem, também somamos o peso do frasco, do rótulo e do bico injetor. Quanto maior, mais resíduos serão lançados no meio ambiente. Na nota final da categoria, o Ypê apresentou um resultado muito bom, o Minuano bom e todos os outros foram considerados aceitáveis.

Rotulagem

Na avaliação dos rótulos, o produto Barra não informa na embalagem que é biodegradável, embora seja. A declaração é obrigatória segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “As substâncias biodegradáveis são as que os micro-organismos conseguem decompor, quando lançadas na natureza, e assim poluem menos o meio ambiente”, explica Thiago.

Também foram verificadas a data de validade e contato para emergência nos rótulos. Exceto o detergente Barra, que recebeu nota aceitável, os outros produtos mostraram resultados muito bons no critério.

Outra notícia positiva é que não há diferença entre o volume indicado no rótulo e o existente na garrafa. O volume médio máximo foi de 517 ml para o Minuano e o mínimo de 500 ml para o BioBrilho, o que está dentro da variação permitida por lei.

As embalagens, por sua vez, devem ser resistentes para manter as propriedades do produto e impedir rupturas e perdas durante o transporte, o armazenamento e o manuseio. Todos os detergentes foram considerados muito bons nesta categoria.

detergente cor cheiro
Cheiro e cor

No aspecto cheiro e cor, o BioBrilho e Barra foram considerados ruins, com conteúdo levemente turvo e resíduo gelatinoso, enquanto Limpol, Minuano e Ypê foram considerados muito bons.

Para descobrir se esses produtos deixam as mãos ressecadas, foi avaliada a variação do potencial hidrogeniônico (pH) – sigla utilizada em química como referência para determinar o nível de acidez de um meio. “Quanto mais próximo de 7, pH neutro, melhor”, explica Thiago. “Verificamos que o uso desses detergentes não agride a pele”.

Remoção de sujeira

A viscosidade não deve deixar os produtos nem líquidos demais, nem concentrados em excesso. Nesta avaliação, apenas o Minuano se saiu muito bem, à medida que o Barra recebeu nota aceitável. Esta última marca também desapontou, assim como o BioBrilho, por apresentar baixa concentração de tensoativos, substâncias responsáveis por envolver e remover a sujeira, por isso foi considerado ruim no critério.

No teste de eficiência de limpeza, a PROTESTE analisou o número de pratos que as marcas são capazes de limpar, usando sempre a mesma quantidade de detergente. O produto Ypê mostrou o melhor desempenho, lavando 30 pratos, enquanto o BioBrilho, o pior.

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