Existem campanhas para alertar sobre golpes por ligação?

Existem campanhas para alertar sobre golpes por ligação?

Com orientações claras, as campanhas contra golpes por ligação tentam reduzir fraudes e ensinar o consumidor a reagir em uma chamada suspeita

Com o aumento dos crimes digitais, as fraudes por telefone se tornaram uma das principais preocupações no Brasil. Os golpistas utilizam chamadas no celular ou no telefone fixo para enganar vítimas, explorando pressa, medo ou confiança.

Esse cenário levanta um questionamento: será que existem campanhas específicas para conscientizar a população sobre esse tipo de crime? Dados recentes apontam que muitos brasileiros já sofreram com golpes por ligação.

O relatório “Tendências de Fraude Omnichannel”, da TransUnion, revelou que 40% dos entrevistados no país foram alvo de fraudes por telefone, internet, mensagens ou e-mail. Além disso, a prática conhecida como vishing, que utiliza chamadas ou mensagens de voz para coletar informações pessoais, aparece como a mais comum.

Outro levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que, em 2024, quase 89% da população com mais de dez anos tinha um celular pessoal. Esse acesso massivo amplia o campo de atuação dos criminosos, que criam estratégias cada vez mais sofisticadas.

Quais golpes por telefone são mais aplicados no Brasil?

Entre as práticas mais frequentes, o especialista em Direito do Consumidor, Stefano Ribeiro Ferri, cita o falso sequestro, quando a vítima acredita que um parente foi raptado; o falso parente, em que golpistas fingem ser filhos ou netos em apuros; o falso funcionário de banco, que solicita senhas e códigos; e o falso prêmio, em que um valor é prometido mediante pagamento de taxas.

De acordo com Stefano, os golpistas exploram emoções para manipular. “Outro indício é a falta de identificação clara, o uso de números desconhecidos ou a tentativa de intimidar a vítima”, explica. Casos assim já provocaram grandes prejuízos. Em abril de 2024, uma vítima em Goiás perdeu R$ 150 mil após acreditar que sua mãe estava em poder de criminosos.

Além disso, alguns golpistas utilizam informações pessoais coletadas em redes sociais ou obtidas em vazamentos de dados para dar credibilidade às chamadas, segundo alerta divulgado pelo portal do Santander.

Como se proteger de chamadas suspeitas?

Stefano orienta que, em ligações, nunca se deve fornecer senhas, tokens, dados de cartões ou documentos pessoais sem confirmar a identidade de quem fala. “Também não é recomendável compartilhar documentos pessoais, como CPF e RG, sem ter a certeza da identidade de quem está falando”, destaca.

Outra medida é verificar o número antes de atender. Caso haja desconfiança, o indicado é desligar e retornar para os canais oficiais da instituição. O especialista acrescenta que salvar contatos confiáveis e instalar bloqueadores de chamadas ajudam a identificar ligações estranhas.

Os cuidados devem ser ainda maiores com idosos. Segundo o IBGE, o Brasil tinha cerca de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Esse grupo costuma ser alvo de criminosos pela confiança, frequência de atendimento ao telefone e possibilidade de guardar reservas financeiras. Para reduzir riscos, Stefano recomenda criar lembretes próximos ao aparelho com avisos como “não passe senha” e estabelecer uma palavra-chave em família para situações de emergência.

Existem campanhas de conscientização sobre golpes por ligação?

As iniciativas para prevenir fraudes por telefone vêm crescendo no Brasil. Bancos, Procons e órgãos de defesa do consumidor realizam campanhas educativas em diferentes canais, como aplicativos, caixas eletrônicos, internet e até televisão. Essas mensagens têm o objetivo de conscientizar a população e mostrar os sinais de alerta que indicam quando uma ligação pode ser uma tentativa de golpe.

Além de orientar os consumidores a nunca fornecerem senhas ou códigos por telefone, as campanhas reforçam a importância de confirmar informações apenas pelos canais oficiais das instituições. Para o especialista, esse tipo de iniciativa é fundamental para reduzir os riscos. “Esses avisos alertam sobre os riscos e reforçam que nenhuma instituição pede senha ou código por telefone”, finaliza Stefano.

Para ler a matéria completa da PROTESTE, clique aqui.

Já reparou?

A PROTESTE é a maior associação de defesa do consumidor da América Latina e, como parte de seu propósito, está sempre atenta às necessidades do mercado brasileiro. Recentemente, lançamos a campanha Já Reparou?, que visa garantir aos consumidores o Direito de Reparo de seus produtos eletrônicos de forma acessível. A iniciativa busca combater práticas de alguns fabricantes que limitam o reparo de aparelhos ao bloquear o uso de componentes que não sejam originais ou instalados por oficinas credenciadas.

Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.