Cobrança indevida no banco: saiba como resolver o problema

Cobrança indevida no banco: saiba como resolver o problema

Você já identificou uma cobrança indevida no banco? É preciso ficar atento, afinal, bancos, financeiras e administradoras de cartão lideram o ranking de reclamações por segmento no Brasil. De acordo com o boletim Consumidor.gov.br 2024, esse grupo concentrou 32,90% dos registros finalizados na plataforma. No mesmo levantamento, problemas com cobrança e contestação foram o principal motivo de queixas, representando 42,72% do total.

Na prática, esses problemas chegam aos consumidores de várias formas:

  • Desconto não reconhecido no benefício;
  • Seguro não contratado;
  • Cobrança recorrente no extrato;
  • Dificuldade para cancelar serviços;
  • Negativação indevida;
  • Demora na devolução de valores.

Além disso, o próprio boletim mostra que o índice médio de solução no segmento de bancos, financeiras e administradoras de cartão foi de 84,03%. Apesar desse número expressivo, muitos consumidores ainda precisam de apoio técnico para transformar a reclamação em uma resposta concreta.

Foi exatamente nessa situação que Rosa Mirtes de Freitas, moradora de Acaraú (CE), procurou a PROTESTE. Isso porque ela percebeu descontos mensais de R$ 139,89 em seu benefício por um serviço vinculado ao Bradesco que ela não havia contratado nem autorizado. Como esse valor se repetia mês após mês, o problema comprometia parte da sua renda.

Felizmente, a atuação da PROTESTE ajudou Rosa a organizar a reclamação, formalizar o pedido e cobrar uma resposta da empresa. Logo após a mediação, o banco cancelou o serviço e reembolsou todo o dinheiro descontado no período.

Cobrança indevida no banco: por que é tão comum?

As cobranças indevidas em serviços bancários costumam aparecer de forma discreta. Muitas vezes, o valor vem com uma descrição genérica no extrato. Em outros casos, o débito aparece vinculado a seguros, pacotes de serviços, tarifas, cartões, empréstimos ou produtos financeiros que o consumidor simplesmente não reconhece.

Portanto, o prejuízo se agrava quando a cobrança é recorrente. Um débito mensal pode parecer pequeno à primeira vista, no entanto, ele vira um grande prejuízo acumulado com o passar dos meses.

No caso de Rosa, por exemplo, o desconto de R$ 139,89 ocorria mensalmente direto no benefício. Como ela não havia autorizado o serviço vinculado ao banco e enfrentava dificuldades para resolver o impasse sozinha, buscou o suporte da PROTESTE.

Dessa forma, essa situação reforça a importância de acompanhar os extratos bancários com frequência. Afinal, muitas cobranças não reconhecidas passam despercebidas justamente porque aparecem misturadas a outros lançamentos legítimos.

Serviço não contratado é prática abusiva?

Sim, com certeza. Isso ocorre porque o Código de Defesa do Consumidor (CDC) considera abusivo fornecer qualquer produto ou serviço sem solicitação prévia. Portanto, nenhuma empresa pode cobrar por algo que o cliente não pediu ou não autorizou.

Em casos de cobrança indevida, o consumidor tem o direito de exigir a devolução do valor pago. Além do mais, o CDC também prevê a devolução em dobro do valor pago indevidamente, exceto quando a empresa demonstra engano justificável.

Atenção: Isso não significa que a devolução em dobro acontece de forma automática em todos os casos. Na verdade, cada situação exige análise detalhada de documentos, do histórico da suposta contratação, da resposta da empresa e da justificativa apresentada.

Mesmo assim, o ponto central não muda: o consumidor não deve ser responsabilizado por um serviço que não reconhece e deve, portanto, ter meios claros para contestar a cobrança.

Direito a reembolso ou devolução em dobro

Você pode solicitar o reembolso sempre que identificar que:

  • Pagou por um serviço que não contratou;
  • Foi cobrado por um valor diferente do combinado;
  • Continuou sofrendo descontos após o cancelamento do serviço.

Por outro lado, a devolução em dobro entra em pauta quando há o pagamento indevido e a empresa não comprova um engano justificável. Por esse motivo, guardar a documentação é fundamental.

No caso da associada Rosa, por exemplo, a PROTESTE enviou uma carta formal ao banco solicitando o cancelamento imediato do serviço. A manifestação indicava que, caso a cobrança persistisse, haveria o pedido de ressarcimento em dobro. Dessa maneira, após a intervenção, o banco cancelou o serviço e reembolsou os valores cobrados de todo o período.

Para quem enfrenta um problema parecido, o primeiro passo é verificar se existe contrato, autorização, gravação, aceite digital ou outro documento que comprove a contratação. Caso a empresa não consiga demonstrar a origem da cobrança, a contestação ganha força legal.

Como a PROTESTE ajudou?

A atuação da PROTESTE começa com a escuta atenta do relato e a análise detalhada dos documentos disponíveis. A partir daí, os especialistas identificam os direitos envolvidos e definem o melhor caminho para formalizar a queixa.

No caso de Rosa Mirtes, a intervenção da PROTESTE foi essencial por três motivos principais:

  • Organização do problema: Em cobranças indevidas, é comum ter informações espalhadas em extratos, protocolos e mensagens. Contudo, a orientação especializada unifica esses dados em uma reclamação objetiva.
  • Clareza no pedido formal: Desse modo, a empresa recebeu uma notificação estruturada com base nos direitos do consumidor, apontando exatamente o que precisava ser resolvido.
  • Apoio contínuo: Além disso, o acompanhamento técnico reduz a sensação de isolamento do consumidor. Isso porque muitos desistem no meio do caminho, já que o processo exige tempo, paciência e conhecimento das leis.

Em resumo, a PROTESTE não substitui a responsabilidade das empresas, mas capacita o consumidor a entender o problema, reunir provas, formular o pedido e exigir uma resposta adequada.

O que guardar antes de reclamar de cobrança indevida?

Reunir provas desde o início do problema aumenta drasticamente as chances de solução. Assim sendo, em casos de cobrança indevida no banco, guarde sempre os seguintes itens:

  • Extratos bancários com a cobrança em destaque;
  • Comprovantes de desconto no benefício ou salário;
  • Cópia do contrato (se houver);
  • Protocolos de atendimento telefônico ou digital;
  • E-mails e mensagens trocadas com a empresa;
  • Capturas de tela (prints) do aplicativo ou internet banking;
  • Datas exatas em que as cobranças apareceram.

Com efeito, esses documentos comprovam o que foi cobrado, quando o problema começou e qual foi a resposta inicial da empresa.

Dica de ouro: Não apague mensagens e nunca confie apenas em atendimento telefônico sem anotar o número do protocolo. Afinal, quanto mais organizado estiver o seu histórico, mais fácil será explicar o caso em uma reclamação formal.

Onde reclamar se o banco não resolver o problema?

O primeiro passo é procurar os canais oficiais da própria instituição financeira, como o SAC e a Ouvidoria. Todavia, caso a resposta não venha ou não resolva o problema, você pode recorrer aos canais públicos de reclamação:

  • Consumidor.gov.br: Permite registrar queixas diretamente contra as empresas participantes. A plataforma finalizou 1.414.218 reclamações em 2024, registrando um índice médio de solução de 82,32% e prazo médio de resposta de 7 dias.
  • Banco Central (BC): Também é possível registrar uma reclamação se o problema envolver instituições supervisionadas pelo órgão, como bancos, financeiras, instituições de pagamento e administradoras de consórcios. Inclusive, o BC divulga periodicamente o ranking de reclamações dessas instituições.
  • Outros Órgãos: Além dessas opções, o consumidor também pode recorrer ao Procon de sua cidade, à Defensoria Pública ou ao Juizado Especial Cível (JEC), dependendo da complexidade do caso e do valor envolvido.

Como evitar que cobranças indevidas passem despercebidas?

Cobranças indevidas raramente aparecem em grandes valores logo de início. Na maioria das vezes, são descontos pequenos e com nomes confusos que se repetem mês a mês.

Portanto, para reduzir o risco de prejuízo acumulado, adote estes cuidados na sua rotina financeira:

  • Confira o extrato bancário com frequência;
  • Observe atentamente os descontos recorrentes no benefício ou salário;
  • Questione imediatamente os nomes de serviços desconhecidos;
  • Guarde todos os comprovantes de cancelamento;
  • Exija a cópia do contrato sempre que a empresa alegar contratação;
  • Registre o número de protocolo em absolutamente todo atendimento.

Por fim, no caso de idosos, aposentados e pensionistas, o cuidado deve ser redobrado. Visto que muitos descontos ocorrem direto na fonte da renda mensal, a cobrança indevida pode passar despercebida por muito mais tempo.

A PROTESTE

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